terça-feira, 5 de Março de 2013

A Humildade -O - húmus - que se fez pedra... sólida.. firme... serena pela água em seu constante fluir... a pedra que derruba gigantes



O Saúdo



1º Saúdo- Para mim o 1º saúdo simboliza uma ponte, que separa o mundo exterior e que me obriga a entregar-me ao mundo dos treinos, no meu lugar de privilégio com os meus companheiros.


Uma ponte… de vida – que traduz a vontade CONSCIENTE e EXPLÍCITA – RECORDADA NUM PEQUENO GESTO QUE SE PERPETUA AO LONGO DA NOSSA VIDA DE PRATICANTES – de estar num espaço e tempo concretos, com pessoas com as que estamos unidos por laços de honra claros, concretos e definidos; procurando – em cada momento – transcender a limitação e transformar a resistência em integração gradual na harmonia que somos e que vamos recordando ser.


2º Saúdo- Símbolo de Respeito e honra, pelo professor que está disposto a ensinar-nos. Este saúdo, ta como os outros, envolve-nos numa relação de dar e receber. Neste caso, são os ensinamentos e as aprendizagens que são apreendidas e desenvolvidas.


O Saúde é bi-direccional: do lado do professor há o respeito para o que cada um dos alunos representa, para o que cada um deles traz e evidencia do “Grande Mestre Oculto” – pelo simples facto de serem partículas da grande Obra, seres em sintonia com o Universal de uma forma que o professor se esforça por promover – com todo o seu saber( fazer) no sentido em que desabrochem os plenos potenciais que cada um dos seus alunos traz. 



Saúda no sentido da consciência da responsabilidade que lhe é própria como elemento de REFERÊNCIA e COMPROMETE-SE a dar de si o melhor – na prática, execução, exploração, especificação e – em geral – na conduta – ao longo da aula.



Para o professor – o saúdo implica que há uma clara separação entre o seu “ser menor “ (neste caso o profissional da saúde, o filho, o amigo… os vários papéis desenvolvidos ao longo de um dia “normal” na nossa sociedade e o momento de privilégio no que ASSUME A RESPONSABILIDADE de dar voz ao Grande Mestre Oculto e aos milhares de seres que passaram o caminho da arte e que – ecoam no lugar de privilégio em cada momento no que nos dispomos a praticar seguindo o wu-de e completamente centrados no que estamos a perseguir – o refinamento ou “recordar” da consciência dormente com vista à sua plena integração e – ao mesmo tempo – a contínua aspiração a “subir a montanha”.



Para o aluno – o respeito pelo ensinamento veiculado pelo professor – importa menos o grau de conhecimento prévio que se tem do ser humano que encarna a figura do pedagogo…  ou do dinamizador do espaço de privilégio. 


Mais será a forma como se crê no seu esforço consciente para dar o melhor, a coerência de saber que o mesmo é humano – logo sujeito a limitações (só há um mestre – o Oculto – todos os restantes somos e seremos sempre alunos ou aprendizes) – pelo que o aluno se compromete a respeitar e ajudar o professor nas suas funções enquanto tal sempre que estas se insiram no Wu-De.



Neste saúdo há um RECONHECIMENTO COMUM – e a figura do professor é uma referência válida sim… e a do aluno para o professor também – dado que a aula a ele se destina (logo o professor adapta os seus saberes para que a aula FLUA de acordo com os vários humores presentes nesse momento específico);



3º Saúdo-  algo mais grandioso, penso que é um agradecimento, demonstramos algo que nesta sociedade não é visto. Dando razão aos nossos passados e anciões é indispensável este saúdo.
“Quem esquece as suas raízes, perde a sua Identidade”;



Realçar que o conhecimento veraz é fruto da experiência de tantos outros que NOS PASSARAM TESTEMUNHO é mergulhar na HUMILDADE INICIAL de ir descobrindo que nada sabemos – RECORDAMOS TUDO o que somos : pois somos infinitamente abundantes uma vez ligados ao TODO do que somos parte integrante.



O Eco dos honrosos passos que nos antecedem dá ânimo para caminhar, pede para que – passando o testemunho – deixemos o “jardim” deste percurso VITAL melhor e mais florido do que quando começamos a caminhar. 



O Eco da Voz e PRESENÇA DE SERES SÁBIOS – QUE ATINGIRAM O SEU GRAU DE INTERIORIZAÇÃO, VERDADE e PLENITUDE – através dos seus ensinamentos e saberes, representa um pilar de sustento na prática da Arte Marcial que convém EVOCAR e REVIVER no sentido de nos IMBUIR nessa GRANDE DÁDIVA.



Ao mesmo tempo nos precatando da GRANDE RESPONSABILIDADE que implica seguir os passos de seres tão importantes – nós sabemos, sentimos e vivemos o caminho -  sabemos o seu valor ao se caminhar; estar com esta noção desperta é parte da caminhada – agora – recordar que “grandioso” é o caminho, o caminhante, os companheiros e a meta almejada… e todos os méritos obtidos para recordar a essência do que se é e onde se vai regressar;


4º Saúdo simboliza uma corda, ou seja, quando fazemos este saúdo estamos a dar um nó numa corda onde atamo-nos eu e o meu companheiro, desta forma estamos juntos do inicio ao fim dos exercícios e mesmo que queiramos -  não vale a pena irmos cada um para o seu lado - porque não nos leva a lado nenhum.
Devemos crescer juntos a cada exercício.



Crescer – para a consciência do ser, para a consciência do outro, para a consciência da relação com o outro…. Cooperar – entrelaçando duas formas únicas do GRANDE SER – conscientes de assim o fazer – e limando todas a arestas de “ego” que procurem controlar uma “dança”, um combate de bem e virtude que pretende gerar o novo entrelaçando dois seres aparentemente diversos – na consciência da sua essência comum.



Respeito – sabendo que – no wu-de, não há espaço para a “morte” – o ego - que circunscreve e define, e teme e procura poder para ser (quando já é), para ter (quando é parte integrante do todo sinérgico e Universal)... ecos da mente que DESPERTA e passa pelos estagios de Dúvida, Medo ou falta de Foco preciso no seu caminho de descoberta único.



Alegria – por saber que há um companheiro para nos ajudar no caminho – e que está integrado no mesmo esquema de valores que fazem da arte um caminho de VIDA e não de morte, e da interacção entre companheiros – acima de tudo – uma oportunidade de crescer e, simultaneamente, oferecer ao TODO a geração de algo novo – quando um e um são três;



5º Saúdo- quando faço o quinto saúdo é como se tivesse a ouvir uma pequena vóz a dizer-me: Este é o teu momento, desde o inicio do saúdo até ao fim, tu deves amar, trabalhar e desfrutar de todo o esforço, pois no fim terás o prazer de perceber do que és capaz.



No fim do Tao – estarás um passo mais perto do que és… e o Universo recompensa o teu esforço honesto com a VIVÊNCIA integrada do “tão, praticante-universo”. 



Em cada momento que invocas o tão e o vives, e o praticas com devoção – há uma porta aberta para o mundo real – onde o tempo e o espaço deixam de ser sombras e passam a ser luz e vida na que tu és peça fundamental…



Parabéns!

Sem comentários:

Enviar um comentário